O 5º Congresso de Engenheiros de Língua Portuguesa (CELP), realizado na Sede Angélica do Crea-SP, em maio de 2025, deu luz a um tema muito importante: ‘Engenharia e ação climática: Soluções para um futuro sustentável’. Especialistas e gestores municipais e estaduais mostraram a diversidade de políticas públicas e apontaram caminhos para o enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas nos centros urbanos.
O vice-presidente do Confea, Eng. Nielsen Christianni, reforçou o compromisso do Conselho Federal com a sustentabilidade. “Assumimos uma grande responsabilidade como profissionais que atuam sob o rigor da Ciência e do conhecimento técnico das Engenharias, Agronomia, Geociências, Tecnologia e Design de Interiores”.
No cenário global de urgência climática e esgotamento de recursos naturais, a engenharia surge como uma das profissões mais estratégicas para construir um futuro sustentável. No Brasil, onde a biodiversidade e os desafios socioambientais são vastos, os engenheiros assumem um papel crucial na transição para uma economia verde. Dados do Confea mostram que mais de 1,2 milhão de profissionais atuam no país, muitos deles dedicados a soluções que aliam desenvolvimento tecnológico e preservação ambiental. “A sustentabilidade não é uma escolha, mas uma obrigação da engenharia moderna. O Brasil tem potencial para ser referência global em energia limpa, e estamos trabalhando para isso”, afirma o Presidente da APEAAP, Engenheiro Emanuel Barreto Rios.
Com 87% da população vivendo em áreas urbanas (IBGE, 2022), o desafio das cidades sustentáveis é prioritário. Projetos de mobilidade urbana, como corredores de ônibus elétricos e ciclovias integradas, ganham força, enquanto tecnologias como IoT (Internet das Coisas) são aplicadas para reduzir desperdícios de água e energia. “A engenharia deve pensar em infraestrutura que minimize impactos ambientais e maximize a qualidade de vida. Isso inclui desde materiais de construção ecológicos até sistemas de drenagem urbana eficientes”, destaca Rios.
Apesar dos avanços, o país ainda enfrenta obstáculos, como o desmatamento na Amazônia — que em 2023 atingiu 9.001 km² (INPE) — e a falta de saneamento básico para 35 milhões de pessoas (SNIS, 2023). Para o presidente da APEAAP, a solução está na inovação: “Precisamos de engenharia aplicada à bioeconomia, à recuperação de áreas degradadas e à gestão inteligente de resíduos. O Brasil tem tecnologia e talento; falta escalonar as boas práticas”.
A legislação brasileira passou por ajustes significativos nos últimos anos, especialmente em temas como licenciamento ambiental, energias renováveis, saneamento básico e infraestrutura sustentável. Essas mudanças impactam diretamente o trabalho dos engenheiros e seu compromisso com a sustentabilidade.
Por exemplo: o Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020) estabeleceu a meta de universalização do saneamento até 2033, garantindo que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% a coleta e tratamento de esgoto.
O compromisso da engenharia com a sustentabilidade não é apenas técnico, mas ético. Como lembra Emanuel Barreto Rios, “o futuro exige projetos que equilibrem progresso e planeta. E o Brasil tem todas as condições de liderar essa revolução verde”. Com políticas públicas alinhadas e investimento em pesquisa, a engenharia brasileira pode, de fato, pavimentar o caminho para um amanhã mais justo e sustentável.
Por Fabricio Oliveira – MTB nº 57.421/SP