A emoção de uma Copa do Mundo costuma estar associada aos gols, às grandes jogadas e à paixão das torcidas. Porém, existe um outro time que trabalha durante anos para que o espetáculo aconteça com segurança, eficiência e qualidade: o time da engenharia. Os profissionais já estão envolvidos em projetos que vão desde a construção e adequação de estádios até sistemas de mobilidade, acessibilidade, sustentabilidade e tecnologia.
A própria FIFA reconhece que a engenharia é um dos pilares fundamentais para o sucesso do futebol moderno. As diretrizes internacionais para estádios estabelecem parâmetros relacionados à segurança estrutural, acessibilidade, conforto dos espectadores, integração tecnológica e sustentabilidade. O objetivo é garantir que cada arena seja capaz de atender às demandas de grandes eventos esportivos sem perder de vista sua utilidade para a comunidade após a competição.
Nos últimos anos, a sustentabilidade passou a ocupar posição de destaque nos projetos esportivos. A FIFA determina que os estádios sejam concebidos considerando eficiência energética, redução do consumo de recursos naturais e diminuição dos impactos ambientais. Entre as soluções recomendadas estão o uso de energias renováveis, sistemas inteligentes de gestão predial, redução da emissão de carbono e aproveitamento mais eficiente da água.
A Copa do Mundo do Catar, realizada em 2022, tornou-se um marco nesse aspecto. Segundo relatórios oficiais da FIFA, todos os estádios do torneio receberam certificações internacionais de sustentabilidade, resultado de projetos que incorporaram práticas voltadas à eficiência ambiental durante a construção e a operação das arenas. O objetivo foi reduzir o consumo de recursos e criar um legado permanente para a região.
A engenharia também está presente em um dos maiores desafios da atualidade: adaptar grandes estruturas às exigências do futebol internacional. Para a Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, Canadá e México, diversos estádios originalmente projetados para outras modalidades esportivas passaram por adequações para atender aos padrões da FIFA. Entre as intervenções estão ajustes estruturais para acomodar as dimensões regulamentares dos campos, instalação de gramados naturais e modernização de sistemas operacionais das arenas.
O gramado, aliás, é um excelente exemplo de como a engenharia atua em detalhes muitas vezes invisíveis ao público. Sistemas de drenagem, irrigação, ventilação e monitoramento das condições do solo são fundamentais para garantir a qualidade da superfície de jogo. As exigências da FIFA incluem especificações técnicas relacionadas ao tipo de grama, áreas de segurança e sistemas subterrâneos capazes de manter o desempenho adequado dos campos mesmo sob condições climáticas adversas.
A tecnologia aplicada ao esporte é outro campo em constante evolução. A Copa de 2026 utilizará uma bola oficial equipada com sensores e recursos de inteligência artificial capazes de fornecer informações em tempo real para auxiliar a arbitragem e aprimorar a análise das partidas. Trata-se de uma demonstração clara de como a engenharia eletrônica, de software e de telecomunicações passou a fazer parte do futebol contemporâneo.
Para a APEAAP, a Copa do Mundo oferece uma oportunidade importante para mostrar à sociedade o alcance da atuação dos profissionais da área tecnológica. Embora o público enxergue apenas o espetáculo dentro do campo, o evento é resultado de anos de planejamento, cálculos, projetos e soluções técnicas desenvolvidas por engenheiros, arquitetos e diversos especialistas.
A realização de uma Copa do Mundo demonstra que a engenharia vai muito além das obras visíveis. Ela está presente na segurança das estruturas, na eficiência dos sistemas, na sustentabilidade das instalações, na mobilidade das cidades e até mesmo nas tecnologias utilizadas durante as partidas. Em cada estádio, em cada sistema de transporte e em cada inovação aplicada ao esporte, existe o trabalho de profissionais que ajudam a transformar grandes ideias em realidade.
Por Fabricio Oliveira – MTB 57.421/SP