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Matéria Técnica – Manual Orientativo: Inspeção em Estruturas de Concreto, Pontes e Viadutos.

26 novembro 2025

O Crea-SP deu um passo decisivo para fortalecer a segurança e a gestão das obras de arte especiais no país ao lançar o Manual Orientativo: Inspeção em Estruturas de Concreto – Pontes e Viadutos. O documento, apresentado durante o Seminário de Inspeção em Pontes e Viadutos, realizado em 11 de novembro, nasce como marco técnico e como uma resposta direta à necessidade crescente de atualização dos protocolos de avaliação de infraestrutura, especialmente diante do envelhecimento das estruturas brasileiras e da sobrecarga urbana contemporânea. O evento, promovido pelo Crea-SP Capacita, reuniu especialistas, representantes de instituições técnicas e aproximadamente 200 engenheiros na Sede Angélica, além de centenas de participantes online.

A presidente do Crea-SP, engenheira Lígia Mackey, destacou a relevância do manual ao parabenizar os integrantes do Comitê Técnico de Fiscalização de Pontes e Viadutos, responsável por sua elaboração com apoio do Confea e da ABNT. “Temos agora um modelo para evoluir na questão da inspeção em estruturas de concreto que será uma referência importante para a sociedade”, afirmou. Em sintonia, o presidente do Confea, engenheiro Vinicius Marchese, ressaltou o papel do material como instrumento de disseminação técnica, reforçando que o conteúdo discutido no Seminário será avaliado e difundido para todos os Creas do país. A gerente de capacitação da ABNT, Jaqueline Gershenson, também contribuiu para o debate ao enfatizar que o documento está alinhado às diretrizes normativas nacionais e representa uma base técnica para o avanço da engenharia no campo da inspeção e da manutenção preventiva.

Durante o encontro, o engenheiro e professor Dr. Júlio Timerman, atual presidente do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) e coordenador das Comissões de Estudo de Normas da ABNT e do Crea-SP, apresentou um panorama da evolução das normas técnicas aplicadas a pontes e viadutos no Brasil. Segundo ele, muitas das estruturas construídas nas décadas de 1960 e 1970 foram projetadas com base em normas da década de 1940, o que gera desafios quando confrontadas com as exigências contemporâneas — como aumento do tráfego, sobrecargas não previstas e ocupações irregulares. “A meta inicial é fazer uma inspeção visual, como um exame clínico, que pode indicar a necessidade de uma avaliação mais especializada”, explicou. Timerman ainda chamou a atenção para a urgência de revisão das normas brasileiras, citando o caso da Ponte Juscelino Kubitschek (JK), que colapsou no final de 2024 após 64 anos de sua construção, em grande parte pela ausência, nas normas antigas, de diretrizes relacionadas à durabilidade das estruturas.

O novo Manual propõe uma metodologia acessível e progressiva, que começa pela inspeção visual com classificação em seis níveis de análise e pode avançar para avaliações mais detalhadas conduzidas por especialistas. O objetivo é democratizar e tornar mais eficiente a rotina de inspeções, especialmente em um país onde muitas cidades ainda desconhecem o número exato de obras de arte especiais (OAEs) em seus territórios. Estima-se que cerca de 39 mil estruturas estejam catalogadas no Brasil, revelando um panorama que exige organização, planejamento e investimento contínuo.

Para a APEAAP, o lançamento do Manual representa um avanço significativo na valorização da engenharia e na proteção da sociedade. Em nota, a entidade afirma que “a atualização dos métodos de inspeção e a consolidação de orientações técnicas oficiais são fundamentais para que os profissionais possam atuar com precisão, responsabilidade e segurança”. A Associação também reforça que o material chega em um momento decisivo para o país. “Estamos diante de um cenário em que muitas estruturas estão envelhecidas e operando acima de suas capacidades originais. Ter um guia técnico robusto, desenvolvido por especialistas e alinhado às normas nacionais, é essencial para prevenir riscos e orientar investimentos públicos e privados”, declarou a APEAAP.

A Associação acrescenta que o documento deve servir como ferramenta de consulta permanente para engenheiros e gestores municipais, sobretudo em cidades em crescimento, onde a manutenção preventiva nem sempre recebe a devida atenção. “O Manual contribui para a construção de uma cultura de inspeção rotineira, baseada em critérios claros e na evolução histórica das normas, algo imprescindível para garantir longevidade e segurança às estruturas de concreto”, afirma a APEAAP.

Por Fabricio Oliveira – MTB nº 57.421/SP