Em um cenário global de crescente demanda por eficiência na construção civil, o BIM (Building Information Modeling) se destaca como método inovador que revoluciona a gestão de obras desde o projeto até a operação. Trata-se de um modelo digital completo que integra geometria, propriedades técnicas, dados de cronograma e custos, viabilizando simulações antes mesmo do início da construção
O modelo BIM é composto por elementos paramétricos (paredes, portas, estruturas), cada um carregando informações semânticas e quantitativas. Quando uma alteração é feita, ela se propaga automaticamente nas plantas, cortes e relatórios, assegurando consistência e reduzindo retrabalho. As aplicações em 4D (tempo), 5D (custos), até 7D (manutenção) e 8D (segurança) ampliam seu alcance para planejamento, orçamento, operação e monitoramento de riscos.
Diversos estudos internacionais apontam ganhos significativos com a adoção do BIM. Um exemplo vem da França: no gerenciamento de pavimentos rodoviários, reduções de até 30–65 % nas emissões de gases de efeito estufa foram observadas ao longo do ciclo de vida.Revisões globais mostram que o BIM acelera decisões, fortalece a colaboração entre disciplinas e diminui custos e prazos, mesmo diante de desafios como padronização, formação de pessoal e altos custos iniciais.
No Brasil, o progresso do BIM ocorre tanto por impulso governamental quanto por demanda do mercado. Desde o decreto federal de 2021, que tornou o BIM obrigatório em obras de infraestrutura pública, o país estruturou comitês e roadmaps, como o Comitê Gestor da Estratégia BIM‑BR (2018–2019), contemplando plataformas nacionais de dados e diretrizes padronizadas.
Em janeiro de 2024, o governo lançou a “Estratégia BIM‑BR”, visando acelerar a integração do BIM em obras públicas, criar células de capacitação e promover inovação tecnológica, entre outras ações. Estima-se que a adoção nas obras governamentais pode aumentar em 10 % a produtividade e reduzir custos em até 20 %.
Apesar dos benefícios, persistem entraves: custo inicial alto, baixa interoperabilidade entre softwares, barreiras culturais e formação insuficiente. Estudiosos apontam que cerca de 74 obstáculos podem impedir a adoção plena do BIM em infraestrutura, muitos relacionados à educação, resistência, normatização e clareza de valor.
Para o presidente da APEAAP, Eng. Emanuel Barreto Rios, o BIM representa mais do que inovação técnica — é um fator de transformação estrutural: “A Engenharia, em todas as suas especialidades, carrega um papel fundamental na construção de sociedades sustentáveis. A nossa associação está de portas abertas para colaborar com ações concretas”.
Sobre o BIM, ele reforça que a tecnologia oferece ferramentas para antecipar riscos em canteiros de obras e elevar a eficiência: “A tecnologia, como drones e BIM, já oferece ferramentas para antecipar riscos, mas a mudança começa com a conscientização diária”.
Ele acredita que a implementação do BIM no Brasil só atingirá seu potencial pleno com investimento em formação e cultura técnica: “Para o setor, 2025 será um ano que destaca a importância do diálogo entre tecnologia e sustentabilidade… Essa transformação já começou, mas o próximo ano será decisivo para consolidar tendências que prometem moldar o futuro da engenharia.”
O BIM continua expandindo globalmente em infraestrutura, habitação, indústria e saneamento, especialmente com o avanço de tecnologias integradas como IoT, blockchain e machine learning. A interconexão digital do canteiro de obras promete otimizar tempo, reduzir desperdício e elevar padrões de segurança.
Por Fabricio Oliveira – MTB nº 57.421/SP